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Agronegócio

El Niño forte pode atrasar soja e encurtar janela do milho

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A previsão de um El Niño forte coloca os produtores diante de uma decisão importante para a safra 2026/27: quando iniciar o plantio da soja. No Centro-Oeste, o calor e a possibilidade de chuvas irregulares aumentam o risco de semear depois de precipitações isoladas e ter de replantar. Se a soja atrasar, também ficará menor a janela considerada mais segura para o milho segunda safra.

O fenômeno já está presente no Oceano Pacífico e deve se intensificar nos próximos meses. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos calcula em 97% a probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027. A Organização Meteorológica Mundial prevê que o episódio alcance forte intensidade entre a primavera e o verão.

Para o produtor de Goiás, Mato Grosso e outras áreas do Centro-Oeste, a principal ameaça não é necessariamente uma redução generalizada do volume de chuva. O problema pode estar na distribuição das precipitações e nas temperaturas acima da média.

As primeiras chuvas da primavera podem não representar o estabelecimento definitivo do período úmido. Se o produtor plantar após uma precipitação isolada e o solo voltar a secar, a emergência da soja poderá ser prejudicada, com falhas na lavoura e necessidade de replantio.

O atraso na semeadura também produz efeito sobre a cultura seguinte. Quanto mais tarde a soja for colhida, menor será o tempo disponível para implantar o milho segunda safra dentro da janela de menor risco climático. Parte das lavouras poderá avançar sobre meses em que a disponibilidade de chuva normalmente diminui.

Essa combinação pode elevar gastos com sementes, defensivos, combustível e operações com máquinas. Também dificulta a contratação de serviços, a organização das equipes e o cumprimento dos contratos de entrega dos grãos.

No Sul, o risco é diferente. O El Niño costuma aumentar a frequência e o volume das chuvas, deixando menos dias disponíveis para o trabalho no campo. O excesso de umidade pode atrasar a semeadura da soja e do milho, dificultar a colheita das culturas de inverno e impedir a entrada de máquinas nas lavouras.

Chuvas frequentes também favorecem doenças fúngicas e podem aumentar o número de aplicações de defensivos. Tempestades, granizo e ventos fortes ampliam a possibilidade de danos às plantas, erosão e perdas de nutrientes aplicados ao solo.

No Matopiba, região formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o ponto de atenção será o início e a regularidade das chuvas. O El Niño costuma reduzir as precipitações na faixa norte do país, o que pode atrasar o plantio e limitar a umidade disponível durante o desenvolvimento inicial das lavouras.

No Sudeste, o calor e a irregularidade das chuvas podem afetar principalmente culturas perenes. No café, temperaturas elevadas e falta de água depois da abertura das flores aumentam o risco de abortamento e redução da formação dos frutos. Na cana-de-açúcar, períodos secos prolongados dificultam o desenvolvimento das áreas recém-plantadas e a recuperação dos canaviais colhidos.

A pecuária também entra na conta. Temperaturas mais altas aceleram a perda de umidade do solo, reduzem a qualidade das pastagens e elevam a necessidade de suplementação do rebanho. O consumo de água aumenta e animais sem sombra ou com acesso insuficiente a bebedouros ficam mais sujeitos ao estresse térmico e à perda de desempenho.

O calor, a baixa umidade e o acúmulo de vegetação seca ainda elevam o risco de incêndios. A manutenção de aceiros, a revisão das máquinas, a proteção das reservas de água e a preparação das equipes precisam ocorrer antes do período mais crítico.

A confirmação de um El Niño forte não significa que todas as propriedades enfrentarão perdas. O fenômeno aumenta a probabilidade de determinados eventos, mas a quantidade e a distribuição das chuvas variam conforme a região e a atuação de outros sistemas atmosféricos.

Para o produtor, a recomendação é evitar decisões baseadas apenas nas primeiras precipitações. A umidade no perfil do solo, as previsões de curto prazo e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático devem orientar a semeadura. Escalonar o plantio também pode reduzir a exposição de toda a área a um mesmo período de estiagem ou excesso de chuva.

O planejamento da safra terá de considerar riscos opostos: no Centro-Oeste, chuva irregular e calor podem atrasar a soja e empurrar o milho para fora da melhor janela; no Sul, o excesso de precipitação pode impedir operações e elevar a pressão de doenças. Em ambos os casos, errar o momento do plantio poderá custar mais caro na safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Embarques de milho aceleram com entrada da segunda safra

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O Brasil exportou 1,18 milhão de toneladas de milho nos primeiros cinco dias úteis de agosto, impulsionado pela entrada da segunda safra e pela maior disponibilidade do cereal nos portos. Apesar da aceleração em relação a julho, a média diária dos embarques ainda ficou 27,4% abaixo da registrada em agosto do ano passado.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Entre os dias 3 e 7 de agosto, o país enviou ao exterior 1.183.719 toneladas, média de 236.744 toneladas por dia.

Em agosto de 2025, os embarques alcançaram 6,85 milhões de toneladas em 21 dias úteis, com média diária de 326.127 toneladas. Os primeiros números deste mês representam 17,3% daquele total, mas não indicam, por enquanto, que o Brasil superará o resultado do ano passado.

Se a média observada nos primeiros cinco dias for mantida até o fim do mês, as exportações chegarão a aproximadamente 4,97 milhões de toneladas. O volume ficaria cerca de 1,88 milhão de toneladas abaixo do registrado em agosto de 2025. Trata-se de uma projeção simples, que poderá mudar conforme a programação dos portos e os novos contratos de venda.

A recuperação é mais evidente na comparação com julho. No mês passado, a média diária dos embarques terminou em 84.488 toneladas. O ritmo registrado no início de agosto foi quase três vezes maior, movimento esperado para esta época do ano, quando o avanço da colheita do milho segunda safra aumenta a oferta disponível para exportação.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 141,7 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. A segunda safra deverá responder por 109,4 milhões de toneladas, mantendo-se como a principal fonte do cereal destinado ao mercado externo durante o segundo semestre.

Embora o volume diário exportado ainda esteja abaixo do ano passado, o preço médio avançou 22,3%. Cada tonelada embarcada no início de agosto alcançou valor equivalente a aproximadamente R$ 1.247, considerando a cotação de R$ 5,15. Esse valor corresponde ao produto exportado e não deve ser confundido com o preço recebido diretamente pelo produtor na fazenda.

As vendas realizadas nos cinco primeiros dias úteis movimentaram o equivalente a R$ 1,48 bilhão. A média diária da receita, contudo, permaneceu 11,2% inferior à de agosto de 2025, porque a valorização da tonelada não compensou integralmente a redução do volume embarcado.

Para o produtor, o desempenho das exportações é importante porque define quanto da segunda safra será retirado do mercado interno. Se os embarques ganharem força nas próximas semanas, poderão reduzir a pressão provocada pela entrada do milho colhido e dar maior sustentação às cotações nas regiões produtoras.

Caso o ritmo permaneça abaixo do registrado no ano passado, uma parcela maior da safra ficará disponível no mercado doméstico, elevando a necessidade de armazenagem e aumentando a disputa entre produtores por espaço nos silos. O efeito será mais intenso nas regiões distantes dos portos, onde o custo do frete limita a competitividade do cereal.

O resultado de agosto dependerá da demanda dos compradores, dos preços internacionais, da programação dos navios e da capacidade dos portos de absorver o aumento da oferta. Com a colheita avançando, o Brasil entra agora no período decisivo para transformar a safra elevada em exportações e evitar excesso de milho no mercado interno.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

São Desidério tira de Sorriso o título de maior produtor de soja do Brasil

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São Desidério, no oeste da Bahia, ultrapassou Sorriso, em Mato Grosso, e assumiu a liderança nacional da produção municipal de soja. O município baiano colheu 2.092.944 toneladas em 2024, apenas 8.424 toneladas a mais que as 2.084.520 toneladas produzidas pelo antigo líder.

Os números são da Produção Agrícola Municipal (PAM), levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados de 2024 são os mais recentes disponíveis para comparar a quantidade produzida pelos municípios brasileiros.

A mudança representa uma quebra na liderança de Sorriso, que havia terminado 2023 como o maior produtor de soja do país, com aproximadamente 2,2 milhões de toneladas. São Desidério ocupava a segunda posição, com cerca de 2 milhões de toneladas.

A diferença entre os dois primeiros colocados em 2024 foi de somente 0,4%. O resultado mostra uma disputa equilibrada entre o norte de Mato Grosso, principal região produtora do país, e o oeste da Bahia, uma das áreas de maior destaque do Matopiba, fronteira agrícola formada por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Apesar de perder a liderança na soja, Sorriso continuou na primeira posição nacional em valor total da produção agrícola. O município movimentou R$ 7,2 bilhões em 2024, considerando culturas como soja, milho, algodão e feijão. São Desidério ficou em segundo lugar, com R$ 6,6 bilhões.

Sorriso também permaneceu como o maior produtor municipal de milho, com 3,66 milhões de toneladas. Portanto, a ultrapassagem ocorreu exclusivamente no ranking da quantidade de soja colhida, e não no valor total da agricultura nem no conjunto da produção de grãos.

A soja produzida em São Desidério gerou R$ 3,7 bilhões em 2024, maior valor municipal registrado para a cultura. Em Sorriso, a oleaginosa movimentou R$ 3,3 bilhões. A diferença de receita foi maior que a distância entre os volumes devido às condições de comercialização e aos preços recebidos em cada região.

Formosa do Rio Preto, também no oeste baiano, apareceu na terceira posição nacional, com 1.958.821 toneladas. Rio Verde, em Goiás, ficou em quarto, com 1.572.500 toneladas, seguido por Nova Ubiratã, em Mato Grosso, com 1.500.600 toneladas.

Entre os 20 maiores produtores municipais, Mato Grosso manteve ampla presença, com 11 cidades. A Bahia colocou quatro municípios na lista, Goiás três, além de uma cidade do Piauí e outra de Mato Grosso do Sul.

Juntos, os 20 primeiros colocados colheram aproximadamente 25,3 milhões de toneladas de soja em 2024, equivalentes a cerca de 17,5% das 144,5 milhões de toneladas produzidas no país naquele ano. O grão estava presente em 2.640 municípios brasileiros.

O ranking municipal não deve ser confundido com os números da safra nacional em andamento. Para o ciclo 2025/26, já encerrado nas principais regiões produtoras, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde de 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% sobre a temporada anterior.

Também não há mudança na liderança estadual. Mesmo com São Desidério no primeiro lugar entre os municípios, Mato Grosso continua como o maior produtor de soja do Brasil. A Bahia ganha destaque pela força de dois municípios no topo do ranking e pelo avanço da produção no oeste do Estado.

Fonte: Pensar Agro

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