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Agronegócio

Congresso reúne cadeia do algodão após safra recorde de 4,14 milhões de toneladas

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O Brasil chega ao 15º Congresso Brasileiro do Algodão com a maior produção de pluma de sua história e posição de liderança no comércio mundial. Entre os dias 22 e 24 de setembro, produtores, pesquisadores, consultores, exportadores e representantes da indústria estarão reunidos no Expominas, em Belo Horizonte, para discutir como transformar esse crescimento em rentabilidade, qualidade e novos mercados.

A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a safra 2025/26 alcance 4,14 milhões de toneladas de pluma, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. O recorde foi obtido mesmo com redução de 3,2% na área cultivada, resultado do aumento de 4,9% na produtividade média das lavouras.

Os números mostram que a cotonicultura conseguiu produzir mais em uma área menor, mas o avanço físico não elimina os desafios econômicos. Custos elevados, preços internacionais pressionados, necessidade de controle fitossanitário, qualidade da fibra, logística e exigências de rastreabilidade continuam influenciando a margem dos produtores.

É nesse ambiente que o congresso deverá concentrar as discussões. A programação inclui manejo de pragas e doenças, biotecnologia, melhoramento genético, fertilidade do solo, agricultura de precisão, inteligência artificial, colheita, beneficiamento, qualidade da pluma e destruição da soqueira.

Também serão debatidos cenários de mercado, sustentabilidade, demanda da indústria têxtil e estratégias para ampliar a presença brasileira no exterior. A programação foi organizada em plenárias técnicas, painéis estratégicos, núcleos temáticos, minicursos e atividades práticas.

O evento ocorre em um momento no qual o Brasil precisa preservar a competitividade conquistada. O país ampliou a produção, profissionalizou a classificação da fibra e avançou na rastreabilidade, fatores que ajudaram o algodão brasileiro a ganhar espaço entre compradores internacionais.

O desempenho das exportações também aumentou a responsabilidade do setor. O produto precisa chegar ao mercado externo com regularidade, qualidade homogênea e documentação capaz de comprovar sua origem e as práticas empregadas na produção.

Para o produtor, isso significa que produtividade já não é o único indicador relevante. Comprimento, resistência, uniformidade, índice de fibras curtas, contaminação e condições de beneficiamento podem interferir no preço obtido e na aceitação dos lotes pela indústria.

O manejo fitossanitário será outro ponto importante. O algodão possui ciclo longo e exige acompanhamento constante contra pragas como o bicudo-do-algodoeiro, a mosca-branca, lagartas e percevejos. Falhas no controle dentro de uma propriedade podem elevar a pressão sobre áreas vizinhas e aumentar o custo de toda a região produtora.

A destruição correta da soqueira e das plantas voluntárias reduz a disponibilidade de alimento e abrigo para o bicudo durante a entressafra. O cumprimento do vazio sanitário, associado ao monitoramento das lavouras e ao uso racional de defensivos, é considerado essencial para evitar o crescimento das populações resistentes.

Os debates sobre nematoides, doenças e plantas daninhas também ganham importância diante da sucessão entre soja, milho e algodão. Sem diagnóstico adequado, o produtor pode repetir culturas hospedeiras, aumentar a população de organismos presentes no solo e enfrentar perdas nas safras seguintes.

Na área de tecnologia, o congresso deverá apresentar aplicações de sensores, imagens, máquinas conectadas, inteligência artificial e sistemas de agricultura de precisão. Essas ferramentas podem melhorar a distribuição de sementes e fertilizantes, orientar aplicações localizadas e identificar falhas antes que elas comprometam parcelas maiores da lavoura.

O desafio é fazer com que a inovação produza retorno econômico. Em períodos de margem apertada, a adoção de uma tecnologia precisa considerar o custo por hectare, a capacidade da equipe, a compatibilidade entre equipamentos e o ganho efetivo de produtividade ou eficiência.

A programação científica contempla pesquisas em produção vegetal, nutrição, fisiologia, agricultura digital, controle de pragas, fitopatologia, nematologia, melhoramento genético, biotecnologia, colheita, beneficiamento e qualidade da fibra. Os trabalhos serão apresentados em formato digital, com espaço para reconhecimento de pesquisas desenvolvidas por estudantes, professores e profissionais do setor.

O encontro também aproxima o campo da indústria têxtil. Essa integração permite que o produtor compreenda quais características são valorizadas na fabricação de fios e tecidos e ajuda a indústria a acompanhar as condições enfrentadas nas lavouras.

O tema desta edição será “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. A proposta está relacionada à necessidade de diferenciar o produto brasileiro em um mercado no qual fibras naturais disputam espaço com materiais sintéticos e compradores cobram informações sobre origem, impactos ambientais e condições de produção.

Realizado a cada dois anos pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o congresso tornou-se o principal encontro técnico e comercial da cotonicultura nacional. A edição anterior, realizada em Fortaleza, reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países, 114 palestrantes, 62 patrocinadores e 288 trabalhos científicos.

Ao reunir pesquisa, produção, beneficiamento, exportação e indústria, o encontro em Belo Horizonte deverá mostrar que o próximo avanço da cotonicultura dependerá menos da simples expansão da área e mais da capacidade de produzir com eficiência, controlar custos, preservar a qualidade e atender às exigências dos compradores.

O 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado de 22 a 24 de setembro, no Expominas, localizado na Avenida Amazonas, 6.200, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial do evento.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Região reforça defesa de soja e algodão contra pragas antes da nova safra

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A proteção de mais de 417 mil hectares de algodão, a prevenção de perdas nas lavouras de soja e o uso sustentável da água mobilizaram produtores, técnicos e pesquisadores do Matopiba às vésperas da safra 2026/27. O avanço da mosca-branca, a identificação de uma nova espécie de nematoide e a necessidade de melhorar o controle sobre o Aquífero Urucuia colocaram o manejo preventivo no centro das decisões para o próximo ciclo.

Os temas foram discutidos no 1º Simpósio Fitossanitário do Matopiba, realizado nos dias 15 e 16 de setembro, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia. Matopiba é a região agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e concentra algumas das principais lavouras de soja, milho e algodão do país.

O encontro ocorreu no momento em que a colheita do algodão se aproxima do fim e os produtores iniciam a preparação para a semeadura da soja. A escolha das estratégias de controle antes do plantio pode reduzir a pressão de pragas e doenças, evitar aplicações desnecessárias e preservar o potencial produtivo das lavouras.

A Bahia cultivou mais de 417 mil hectares de algodão na safra 2025/26 e deve superar 1 milhão de toneladas de pluma, o maior volume já registrado no Estado. Cerca de 80% da área havia sido colhida quando o simpósio foi realizado. O desempenho reforça a posição baiana como segunda maior produtora nacional, atrás apenas de Mato Grosso.

Manter esse crescimento, porém, exige atenção à destruição dos restos culturais, ao cumprimento do vazio sanitário e ao combate ao bicudo-do-algodoeiro. Plantas remanescentes podem servir de abrigo e alimento para insetos durante a entressafra, aumentando a população presente no início do próximo cultivo e elevando os custos de controle.

A mosca-branca também foi apontada como uma das ameaças de maior alcance regional. O inseto ataca soja, algodão, feijão e outras culturas, multiplica-se rapidamente e encontra abrigo em plantas cultivadas, invasoras e voluntárias. Além de retirar seiva, pode favorecer o desenvolvimento de fumagina e transmitir viroses, com reflexos sobre produtividade e qualidade.

A orientação apresentada aos produtores foi iniciar o acompanhamento desde os primeiros focos, em vez de aguardar o crescimento da infestação. O controle deve combinar monitoramento, eliminação de plantas hospedeiras, uso criterioso de defensivos, rotação de mecanismos de ação e preservação de inimigos naturais.

Produtos biológicos à base de fungos já utilizados no campo também podem integrar essa estratégia. A eficiência, entretanto, depende do momento da aplicação, das condições de temperatura e umidade e do tamanho da população da praga. Por isso, o controle biológico deve fazer parte de um programa de manejo e não ser tratado como uma medida isolada.

Outro alerta envolve o Pratylenchus brasiliensis, nematoide das lesões radiculares inicialmente identificado em áreas de soja do Tocantins e já encontrado em outros estados produtores. O organismo invade as raízes, prejudica a absorção de água e nutrientes e pode causar reboleiras, redução do desenvolvimento e queda de produtividade.

Estudo recente conduzido por pesquisadores brasileiros encontrou elevada capacidade de reprodução da espécie em soja. As cultivares avaliadas mostraram suscetibilidade, resultado que aumenta a importância do diagnóstico laboratorial e de pesquisas para identificar plantas hospedeiras, fontes de resistência e alternativas de rotação.

Para o produtor, a dificuldade está no fato de os sintomas poderem ser confundidos com deficiência nutricional, compactação do solo ou falta de água. A confirmação exige coleta adequada de solo e raízes. Sem o diagnóstico correto, a adoção de uma cultura de cobertura que também seja hospedeira pode aumentar a população do nematoide, em vez de reduzi-la.

A água constituiu o outro grande eixo do encontro. Aproximadamente 80% do Sistema Aquífero Urucuia estão em território baiano. A reserva subterrânea abastece cidades, contribui para a vazão dos rios e sustenta parte da agricultura irrigada do Oeste da Bahia, região que já reúne mais de 400 mil hectares irrigados.

A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos trabalham na implantação de uma rede com 300 poços de monitoramento ao longo dos próximos quatro anos. Os equipamentos deverão acompanhar o nível da água e produzir informações sobre recarga, reservas disponíveis e capacidade sustentável de uso.

O acompanhamento permitirá substituir estimativas gerais por dados coletados continuamente. Para os agricultores, essas informações poderão melhorar o planejamento da irrigação, orientar investimentos e dar maior segurança técnica às autorizações de uso da água. O sistema também deverá ajudar a identificar eventuais quedas do nível do aquífero antes que o problema comprometa a produção ou o abastecimento público.

Além da Bahia, o Aquífero Urucuia alcança áreas de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí. A gestão da reserva, portanto, influencia não apenas propriedades isoladas, mas a segurança hídrica e a produção agropecuária de uma extensa faixa do Cerrado.

O simpósio reuniu representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Associação dos Produtores de Soja e Milho da Bahia, Fundação Bahia, Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães e Agência de Defesa Agropecuária da Bahia.

As discussões mostraram que a próxima safra começa antes da entrada das plantadeiras no campo. A eliminação de restos culturais, o monitoramento antecipado de insetos, a análise de solo e raízes, o uso integrado de produtos químicos e biológicos e o controle do consumo de água podem reduzir custos e evitar que problemas localizados se espalhem pelas lavouras do Matopiba.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Agrofeira movimenta cidade com 32 mil bovinos e tradição na genética Nelore

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A cidade de Chã Preta (cerca de 100 km da capital, Maceió), em Alagoas, realiza, nesta sexta-feira (18.09) e sábado a quarta edição da Agrofeira IBC. Realizado na Fazenda Recanto, o evento reúne produtores, empresas, técnicos e especialistas para discutir genética, qualidade da carne, mercado, regularização das propriedades e investimentos no campo.

A programação vai das 7h às 17h nos dois dias, com entrada gratuita. Além das palestras, haverá exposição de animais da seleção Nelore Barros Correia e espaços para negociação com fornecedores de genética, nutrição e sanidade animal, máquinas, implementos, veículos, insumos, tecnologias e serviços.

A importância de Chã Preta para a pecuária alagoana vai além da tradição das propriedades locais. O município possuía 32 mil bovinos em 2024, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O número coloca a cidade entre os sete maiores rebanhos municipais de Alagoas.

A dimensão fica ainda mais evidente quando comparada à população. Chã Preta tinha 5.910 moradores no Censo de 2022, o equivalente a mais de cinco bovinos por habitante. O município responde sozinho por aproximadamente 2,3% das 1,39 milhão de cabeças existentes em Alagoas.

A produção de leite também ajuda a movimentar a economia local. Em 2024, foram produzidos 11 milhões de litros no município, com valor estimado em R$ 24,8 milhões. Em todo o Estado, a produção chegou a 596,9 milhões de litros e movimentou R$ 1,36 bilhão.

Embora a pecuária tenha maior peso, Chã Preta também mantém uma agricultura diversificada. A produção das lavouras municipais foi avaliada em R$ 6,8 milhões em 2024, distribuída entre atividades como citricultura, batata-doce, mandioca, tomate, banana, maracujá, milho e feijão.

É essa combinação entre rebanho numeroso, produção leiteira, agricultura e seleção genética que explica a apresentação do município como uma vitrine da pecuária regional. O destaque não está apenas na aparência dos animais levados à exposição, mas no trabalho de melhoramento destinado a produzir bovinos mais férteis, adaptados, eficientes e capazes de transmitir essas características aos rebanhos comerciais.

A sigla IBC significa Irmãos Barros Correia e identifica o trabalho desenvolvido por Celso, Aloísio e Ricardo Barros Correia na Fazenda Recanto. A propriedade permanece com a mesma família há cerca de dois séculos e acompanhou as transformações econômicas da Zona da Mata alagoana.

A fazenda começou ligada à atividade açucareira e, no decorrer do século passado, ampliou os investimentos em pastagens e pecuária. A conversão definitiva para a criação bovina ocorreu no fim da década de 1960. Em 1979, os irmãos iniciaram a formação do plantel Nelore Puro de Origem, com animais registrados e genealogia controlada.

Desde então, a seleção passou a combinar avaliação morfológica, desempenho produtivo e informações genéticas. O objetivo é produzir reprodutores capazes de melhorar características como fertilidade, ganho de peso, adaptação ao clima tropical e qualidade da carcaça.

A genética de um touro interfere em grande parte dos bezerros produzidos dentro de uma propriedade. Por isso, a escolha de reprodutores avaliados pode elevar a produtividade durante várias gerações, reduzir o tempo necessário para o animal atingir o peso de abate e melhorar o aproveitamento econômico do rebanho.

A Agrofeira nasceu dessa ligação entre seleção genética e atividade comercial. A primeira edição foi realizada em 2023, e o encontro passou a reunir criadores, fornecedores e especialistas interessados nos desafios específicos da pecuária desenvolvida no Nordeste.

Nesta sexta-feira, o credenciamento começa às 7h. Às 8h, o engenheiro agrônomo Roberto Barcellos apresenta a palestra “O Nelore exercendo papel fundamental na qualidade da carne do Brasil”. A discussão deverá abordar a contribuição da raça para a produção nacional e os fatores que transformam genética, manejo e alimentação em carne de maior qualidade.

A partir das 9h, o público participa do primeiro “Momento de Fazer Negócio”, dedicado à visitação dos estandes, avaliação dos animais e contato entre produtores e fornecedores. O formato permite comparar tecnologias e negociar soluções voltadas à rotina das propriedades.

Às 14h, o advogado Jhon Matias fala sobre regularização imobiliária rural. O tema possui efeito direto sobre o patrimônio do produtor, porque pendências na matrícula, no georreferenciamento ou nos registros da propriedade podem dificultar inventários, vendas, financiamentos e o acesso ao crédito rural.

No sábado, a recepção também começa às 7h. Às 8h, a médica veterinária e economista Lygia Pimentel apresenta as perspectivas para o mercado pecuário. A análise ocorre em um momento no qual o produtor precisa acompanhar preços da arroba, custos de reposição, oferta de animais, exportações e capacidade de compra dos frigoríficos antes de definir investimentos e estratégias de comercialização.

O segundo “Momento de Fazer Negócio” começa às 9h e ocupa o restante da programação. A proposta é aproximar compradores, criadores e empresas que fornecem equipamentos, insumos, genética e serviços para as atividades pecuária e agrícola.

A feira também marca o início das comemorações dos 200 anos da Fazenda Recanto. O antigo espaço ligado ao engenho recebe atualmente animais selecionados, máquinas e tecnologias, formando uma síntese da transformação ocorrida na economia rural da região.

Para os produtores, o interesse prático está na possibilidade de conhecer reprodutores, avaliar soluções disponíveis no mercado e discutir problemas que afetam diretamente a rentabilidade das propriedades. A feira liga a tradição pecuária de Chã Preta a decisões atuais sobre produtividade, mercado, segurança jurídica e acesso à tecnologia.

Serviço: A Agrofeira IBC 2026 ocorre nesta sexta-feira (18) e no sábado (19), das 7h às 17h, na Fazenda Recanto, na zona rural de Chã Preta, em Alagoas. A participação é gratuita e as inscrições permanecem disponíveis pela plataforma Doity.

Fonte: Pensar Agro

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