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Agronegócio

Produto amplia peso na economia com biodiesel e avanço da agroindústria

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Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja cresceu 11,72% em 2025.

Com isso, o setor passou a responder por 21,6% de todo o PIB do agronegócio brasileiro e por 5,4% da economia nacional.

O principal motor desse avanço foi a safra recorde de 171,5 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25. A grande oferta aumentou o esmagamento do grão nas indústrias e elevou a produção de derivados, principalmente farelo e óleo.

Na prática, isso significa mais atividade fora da porteira. O crescimento da soja passou a movimentar com mais força fábricas de ração, usinas de biodiesel, transportadoras, armazéns e indústrias ligadas à proteína animal.

O farelo de soja foi um dos principais destaques do ano. A demanda interna bateu recorde, impulsionada pelo crescimento da avicultura, da suinocultura e do confinamento bovino. Para o produtor pecuário, isso representa maior oferta de matéria-prima para alimentação animal e maior integração entre lavoura e pecuária.

O biodiesel também ganhou peso dentro da cadeia. A elevação da mistura obrigatória para 15% aumentou o consumo de óleo de soja e estimulou a produção do biocombustível ao longo do ano.

O reflexo apareceu diretamente na economia. O segmento de agrosserviços, ligado a logística, transporte, armazenagem e comercialização, registrou uma das maiores altas do levantamento, com crescimento de 9,4%.

O mercado de trabalho acompanhou esse movimento. A cadeia da soja e do biodiesel encerrou 2025 com 2,39 milhões de trabalhadores ocupados, avanço de 5,52% em relação ao ano anterior. O aumento das vagas ocorreu principalmente nos setores ligados à indústria e aos serviços de apoio.

Apesar do avanço da atividade econômica, os preços internacionais mais baixos limitaram parte da rentabilidade do setor. A ampla oferta global pressionou as cotações da soja e dos derivados ao longo do ano.

Mesmo assim, as exportações da cadeia cresceram em volume e chegaram a 133,72 milhões de toneladas em 2025. A receita cambial somou US$ 53,46 bilhões, equivalente a cerca de R$ 283 bilhões.

O levantamento mostra ainda uma mudança importante no perfil do agro brasileiro: processar soja dentro do país passou a gerar impacto econômico muito maior do que exportar apenas o grão bruto. Segundo os pesquisadores, cada tonelada industrializada gerou mais de quatro vezes mais PIB do que a soja embarcada sem processamento

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Juara concentra debates sobre pecuária e assistência técnica na Arinos Show

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Juara (cerca de 655 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso, recebe até este sábado (09.05) a Arinos Show Agro, feira voltada à pecuária, tecnologia e desenvolvimento regional que vem ganhando espaço no calendário do agro mato-grossense.

O evento reúne produtores rurais, técnicos, empresas e lideranças do setor em uma região considerada estratégica para a bovinocultura de corte. Com rebanho próximo de 1 milhão de cabeças na região, Juara figura entre os principais polos pecuários do estado, mas ainda enfrenta desafios ligados à intensificação produtiva e à gestão técnica das propriedades.

Nesse contexto, a assistência técnica aparece como um dos principais temas da programação deste ano. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) levará ao evento debates voltados ao aumento de produtividade, rentabilidade e eficiência dentro da porteira.

Na sexta-feira (8), o supervisor da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-MT, Marcelo Nogueira, ministra palestra direcionada aos produtores da bovinocultura de corte, com foco no potencial produtivo ainda pouco explorado da região.

Segundo ele, a proposta é mostrar, a partir de dados e comparações com outras regiões, como a adoção de gestão técnica pode alterar o desempenho econômico das propriedades. “Juara e os municípios da região têm um potencial enorme na pecuária de corte, mas esse potencial ainda é pouco explorado do ponto de vista técnico. Quando comparamos com regiões que já possuem assistência estruturada, percebemos o quanto ainda é possível avançar em produtividade e rentabilidade”, afirma.

O modelo da ATeG funciona por meio de acompanhamento contínuo nas propriedades, com visitas técnicas periódicas, levantamento de indicadores produtivos e econômicos e recomendações ajustadas à realidade de cada produtor.

Além da programação técnica, o evento também aposta na valorização da cadeia da carne bovina. No estande do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), a vitrine “Sabores do Agro” promove demonstrações de cortes, preparo e degustação de carne bovina diariamente, a partir das 10h30.

A proposta é aproximar o público da produção regional e reforçar o papel da pecuária na economia local, agregando valor ao produto e ampliando a conexão entre produção e consumidor.

A Arinos Show Agro ocorre em um momento de transformação da pecuária mato-grossense, marcada pela intensificação dos sistemas produtivos, maior uso de tecnologia e busca por eficiência dentro da porteira. Em regiões tradicionalmente extensivas, como o Noroeste do estado, o desafio passa a ser produzir mais por área, com melhor gestão e maior rentabilidade.

Serviço

Arinos Show Agro 2026
Juara (MT)
Até 9 de maio de 2026
Temas: pecuária de corte, assistência técnica, gestão rural, produtividade e valorização da carne bovina.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Polos irrigados concentram maior renda, produtividade e desenvolvimento

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A expansão da agricultura irrigada pode se tornar um dos principais vetores de crescimento do agronegócio brasileiro nas próximas décadas, especialmente em um cenário de maior pressão climática e busca por estabilidade produtiva. É o que aponta um estudo desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em parceria com pesquisadores do Grupo de Políticas Públicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

O levantamento analisou polos agrícolas irrigados em estados como Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul e identificou diferenças relevantes em renda, produtividade e indicadores sociais quando comparados a municípios rurais sem forte presença de irrigação.

Na prática, o estudo mostra que regiões irrigadas apresentam economia mais dinâmica, menor vulnerabilidade social e maior geração de riqueza dentro da porteira.

Na Bahia, por exemplo, a renda média nos polos irrigados é 68,6% superior à observada em outros municípios rurais. Em Minas Gerais, a diferença chega a 42,85%. No Rio Grande do Sul, o ganho é de 11,96%, enquanto em Mato Grosso a renda média supera em 8,13% a registrada em regiões não irrigadas.

Os impactos também aparecem nos indicadores sociais. Em Mato Grosso, o percentual de beneficiários de programas de transferência de renda é cerca de 50% menor em municípios com agricultura irrigada, indicando maior capacidade de geração de emprego e renda local.

Outro dado que chama atenção está no Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Segundo o estudo, polos irrigados podem apresentar indicadores até 256% superiores aos demais municípios rurais. Em Mato Grosso, o PIB per capita dessas regiões supera R$ 182 mil por habitante.

A irrigação também aparece como ferramenta de redução de risco climático. Em um ambiente de maior irregularidade das chuvas e eventos extremos mais frequentes, sistemas irrigados aumentam previsibilidade produtiva, reduzem perdas e permitem maior estabilidade da renda agrícola.

Hoje, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Brasil possui aproximadamente 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação. O potencial de expansão, porém, ultrapassa 55 milhões de hectares adicionais, sendo quase metade dessas áreas atualmente ocupadas por pastagens.

As simulações econômicas realizadas pelos pesquisadores indicam que cada incorporação de 1.600 hectares irrigados pode elevar o valor adicionado bruto da agropecuária em R$ 8,27 milhões no curto prazo. Em horizontes mais longos, esse impacto pode se aproximar de R$ 14 milhões, além da geração de empregos formais ligados à produção agrícola e aos serviços associados.

Apesar do potencial, o avanço da irrigação ainda enfrenta gargalos estruturais. O estudo aponta quatro fatores considerados decisivos para ampliar o uso da tecnologia no país: acesso à energia competitiva, qualificação de mão de obra, gestão eficiente dos recursos hídricos e maior conectividade no campo.

O tema ganha relevância em um momento em que o agro brasileiro busca aumentar produtividade sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas. Nesse cenário, a irrigação passa a ser vista não apenas como ferramenta de produção, mas como instrumento estratégico de segurança alimentar, adaptação climática e desenvolvimento regional.

O estudo completo será apresentado oficialmente no fim de maio e deve ampliar o debate sobre infraestrutura hídrica e planejamento agrícola no país.

Fonte: Pensar Agro

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