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Agronegócio

PIB do agro pode crescer em R$ 11 bilhões com a agricultura de precisão

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A ampliação da agricultura de precisão nas propriedades brasileiras poderá acrescentar mais de R$ 11 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e contribuir para a criação de 400 mil empregos. As projeções foram apresentadas pela presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, durante congresso realizado nesta semana em Porto Alegre.

Agricultura de precisão é uma forma de administrar a propriedade com base nas diferenças existentes dentro da lavoura ou do rebanho. Em vez de aplicar a mesma quantidade de sementes, fertilizantes, defensivos ou água em toda a área, o produtor identifica o que cada parte realmente necessita e ajusta o manejo.

Na prática, uma lavoura não é uniforme. Um mesmo talhão pode ter pontos com menor fertilidade, falhas de plantio, compactação, deficiência de água, maior presença de plantas daninhas ou produtividade abaixo da média. O objetivo da agricultura de precisão é localizar essas diferenças, entender suas causas e agir de maneira específica.

O trabalho começa pela coleta de informações georreferenciadas, ou seja, associadas a uma localização exata dentro da propriedade. Esses dados podem vir de análises de solo, imagens de satélite, drones, sensores, estações meteorológicas, mapas de produtividade produzidos pelas colheitadeiras ou registros feitos pelo próprio produtor.

Depois de analisadas, as informações permitem dividir a área em zonas de manejo. Um distribuidor equipado para operar em taxa variável, por exemplo, pode aplicar mais calcário onde existe maior necessidade e reduzir a dose nos pontos em que o solo já está corrigido. A mesma lógica pode ser utilizada na adubação, na semeadura, na irrigação e na pulverização.

A agricultura de precisão, portanto, não se resume à compra de drones, sensores ou máquinas modernas. A tecnologia somente gera resultado quando as informações coletadas ajudam o produtor a tomar uma decisão melhor. Também é possível começar de forma gradual, com amostragem georreferenciada de solo, acompanhamento de custos e serviços contratados por meio de cooperativas, associações ou empresas especializadas.

Entre os ganhos esperados estão o uso mais eficiente dos insumos, a redução de desperdícios, maior controle dos custos e melhor aproveitamento do potencial produtivo de cada área. Os resultados, contudo, variam conforme a cultura, o tamanho da propriedade, as diferenças encontradas no solo e o custo da tecnologia. A adoção precisa ser precedida de análise econômica e acompanhamento técnico.

Segundo Silvia Massruhá, a inteligência artificial amplia essa capacidade ao processar grandes volumes de informações e identificar padrões que seriam difíceis de perceber apenas pela observação. As aplicações incluem previsão de produtividade, identificação de pragas e doenças, acompanhamento individual de animais, irrigação de precisão e sistemas que auxiliam o produtor a decidir quando plantar, pulverizar ou colher.

A presidente da Embrapa afirmou que a agricultura brasileira entrou em uma fase na qual não basta reagir aos problemas. O desafio é antecipar riscos, principalmente diante de eventos climáticos extremos. Modelos alimentados por dados meteorológicos, históricos de produtividade, condições do solo e imagens de satélite podem emitir alertas e ajudar no planejamento da propriedade.

“Se, há cinco décadas, o principal desafio era garantir a segurança alimentar, hoje o foco está na construção de uma agricultura capaz de antecipar cenários, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas”, afirmou Silvia.

A possibilidade de expansão, porém, esbarra na falta de conectividade e de capacitação. Dados apresentados pela Embrapa, com base no projeto Semear Digital, indicam que 84% da população rural ainda não tem acesso efetivo às tecnologias digitais. Entre os conectados, grande parte utiliza a internet principalmente para comunicação, sem incorporá-la à gestão ou ao processo produtivo.

Para a dirigente, levar sinal de internet ao campo é apenas uma parte da solução. A chamada “conectividade significativa” também depende de treinamento, assistência técnica, equipamentos compatíveis e capacidade para interpretar e proteger os dados gerados na propriedade.

A inclusão é relevante porque o Brasil possui cerca de 5 milhões de produtores rurais e, segundo os dados apresentados pela Embrapa, 77% são pequenos e médios. Sem modelos de contratação compartilhada, capacitação e ferramentas de menor custo, a agricultura de precisão pode ficar concentrada em propriedades mais capitalizadas.

As estimativas de R$ 11 bilhões para o PIB e de 400 mil empregos foram citadas pela presidente da Embrapa como resultado de estudos sobre uma adoção mais ampla das tecnologias. O material divulgado após o evento, contudo, não detalha o período considerado, o nível de expansão necessário nem a metodologia utilizada na projeção. Os números devem ser interpretados como potencial econômico, e não como retorno automático para cada produtor.

Silvia também informou que a Embrapa mantém aproximadamente 4,3 mil projetos de pesquisa. Em 2025, de acordo com a instituição, cada real aplicado na empresa pública gerou R$ 27 em benefícios para a sociedade, com lucro social calculado em R$ 124 bilhões.

A apresentação encerrou o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital e a 17ª Conferência Internacional de Agricultura de Precisão. Realizados na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, os encontros reuniram 845 participantes e 512 trabalhos científicos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Custo oculto do trator pode consumir parte da renda da safra

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Com as máquinas no campo para o plantio da safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chama a atenção para um custo que nem sempre aparece nas contas da propriedade. Além do diesel, o cálculo da hora trabalhada pelo trator deve incluir depreciação, manutenção, seguro, mão de obra e o capital investido no equipamento.

A metodologia da Conab e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram despesas fixas e variáveis para determinar o custo da hora-máquina. Quando parte desses gastos é ignorada, o trator pode parecer econômico mesmo reduzindo a margem da atividade.

O impacto é maior quando o equipamento trabalha poucas horas por ano. Depreciação, seguro e capital imobilizado continuam pesando sobre a propriedade, mas passam a ser divididos por um período menor de utilização. A conta ajuda a decidir entre manter ou trocar a máquina, compartilhá-la com vizinhos ou contratar o serviço.

A depreciação corresponde à perda de valor durante a vida útil. Em uma simulação, um trator comprado por R$ 200 mil e vendido dez anos depois por R$ 80 mil terá perdido R$ 120 mil, o equivalente a R$ 12 mil por ano.

Com 500 horas anuais de trabalho, a depreciação será de R$ 24 por hora. Se o uso cair para 250 horas, o valor subirá para R$ 48 por hora. A diferença mostra por que a ociosidade pode tornar uma máquina cara mesmo sem aumentar o consumo de combustível.

O diesel é calculado pela multiplicação do consumo horário pelo preço do litro. Um trator que utiliza oito litros por hora, com combustível a R$ 6, terá uma despesa de R$ 48 por hora.

Na simulação, ao acrescentar R$ 28 referentes à manutenção e ao operador, os custos variáveis chegam a R$ 76 por hora. Somados aos R$ 24 da depreciação, o resultado é de R$ 100. O cálculo simplificado ainda não inclui seguro, juros, lubrificantes e o custo do capital próprio.

Cada produtor deve substituir os valores do exemplo pelos números da propriedade. Preço de compra, possível valor de revenda, vida útil, horas trabalhadas, consumo de combustível e histórico de manutenção alteram o resultado.

O horímetro do painel é a referência mais segura para medir o uso. A marcação pode ser registrada antes e depois de cada operação ou no fechamento do mês. Notas fiscais e ordens de serviço também ajudam a calcular os gastos reais com peças, pneus e oficina.

Com o custo apurado, é possível compará-lo com o preço cobrado por prestadores da região. A terceirização tende a ser mais vantajosa quando o trator permanece parado durante grande parte do ano, desde que o serviço esteja disponível dentro da janela adequada. Um atraso no plantio, na pulverização ou na colheita pode gerar perda superior à economia obtida.

Compartilhar a máquina ou prestar serviços a propriedades vizinhas também pode aumentar o número de horas trabalhadas e diluir os custos fixos. Já a compra de um equipamento novo só se justifica quando a economia operacional e o ganho de capacidade compensam o investimento.

Regulagem e condução completam a conta. Pressão inadequada dos pneus, excesso de lastro e incompatibilidade entre trator e implemento aumentam a patinagem, o consumo e o desgaste. A manutenção preventiva, por sua vez, reduz o risco de paralisações nos períodos mais importantes da safra.

O cálculo deve ser atualizado quando houver mudanças relevantes no preço do diesel, nos juros, nos salários ou nas despesas de manutenção. A calculadora oferece uma estimativa para orientar a decisão, mas o resultado mais confiável depende dos registros financeiros e operacionais da própria fazenda.

Serviço

A metodologia utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com os critérios para o cálculo dos custos de máquinas agrícolas, pode ser consultada clicando aqui.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Assistência técnica recupera pastagens e fortalece pequena pecuária

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O acompanhamento técnico gratuito está ajudando 82 pequenos pecuaristas do sudoeste de Mato Grosso a melhorar o manejo do rebanho e aproveitar melhor as áreas já abertas. As propriedades atendidas somam cerca de 31 mil hectares de pastagens, dos quais 5 mil já receberam práticas de intensificação produtiva.

O trabalho está presente em 12 municípios e parte de um diagnóstico de cada propriedade. Técnicos avaliam o solo, o estado das pastagens, a disponibilidade de água, a alimentação do rebanho, o desempenho reprodutivo e a estrutura disponível. Com essas informações, produtor e equipe definem as mudanças prioritárias e os investimentos que cabem no orçamento.

A proposta é produzir mais na mesma área, evitando que o pecuarista precise ampliar a fazenda para aumentar a renda. O caminho pode envolver correção e adubação do solo, divisão de pastos, ajuste da lotação, melhoria da genética, organização da estação de monta e reserva de alimento para a seca.

Essa orientação ganha importância nas pequenas propriedades, onde um investimento feito no momento errado pode comprometer o caixa por vários meses. Em vez de recomendar um pacote igual para todos, o acompanhamento considera o tamanho do rebanho, a capacidade financeira da família e as condições de cada área.

O manejo das pastagens ocupa posição central. Quando o pasto perde capacidade de alimentar os animais, o gado demora mais para ganhar peso, a taxa de lotação diminui e o custo por cabeça aumenta. A recuperação gradual dessas áreas pode elevar a oferta de forragem e reduzir a necessidade de suplementação, sobretudo durante a estiagem.

A assistência também ajuda o produtor a planejar o uso da água e a alimentação do rebanho ao longo do ano. A definição antecipada de áreas para pastejo, produção de silagem ou formação de reserva reduz o risco de decisões emergenciais na seca, quando os alimentos normalmente ficam mais caros.

Além dos 5 mil hectares com manejo intensificado, as propriedades participantes mantêm mais de 22 mil hectares de vegetação nativa conservada. Os números foram divulgados pelo Programa Produção Sustentável de Bezerros, iniciado em 2019 e atualmente desenvolvido em Mato Grosso e no Pará.

A conservação não aparece separada da atividade econômica. A regularização ambiental, o controle da origem dos animais e a rastreabilidade podem ampliar o acesso dos pecuaristas a crédito e a compradores que exigem comprovação sobre a procedência do gado.

O programa também orienta os produtores na organização de documentos, no planejamento financeiro e na avaliação das linhas de financiamento. O objetivo é evitar que a propriedade aumente a produção sem calcular o custo das mudanças ou assumir dívidas incompatíveis com sua capacidade de pagamento.

Outra frente é a identificação dos animais desde a fase de cria. A rastreabilidade permite acompanhar o percurso do bezerro e comprovar que ele foi produzido em área regular. Esse controle tornou-se mais relevante com o aumento das exigências ambientais e sanitárias nos mercados compradores de carne bovina.

A iniciativa é conduzida pela Fundação IDH em parceria com a Mars, com atendimento de campo realizado pelo Instituto BioSistêmico (IBS). A orientação produtiva e gerencial é oferecida gratuitamente aos participantes. O programa já alcançou mais de mil pequenos pecuaristas desde sua criação.

Os dados divulgados até agora mostram a extensão atendida e as áreas submetidas a novas práticas, mas não apresentam uma média consolidada do aumento da produtividade ou da renda dos 82 participantes. Esses resultados dependerão do estágio de cada propriedade e do tempo necessário para que as mudanças no solo, nas pastagens e no rebanho apareçam nas contas.

A experiência, no entanto, mostra uma alternativa para melhorar a pecuária de cria sem avançar sobre novas áreas. Ao combinar conhecimento técnico, planejamento e conservação, o pequeno produtor passa a decidir com mais segurança onde investir e como extrair maior retorno da estrutura que já possui.

*Imagem: reprodução/broto.com.br

Fonte: Pensar Agro

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