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Agronegócio

Mercado segue em alta enquanto plantio da safra avança em ritmo desigual

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O mercado brasileiro de soja segue sustentado pela combinação de demanda interna firme e embarques em bom ritmo. Mesmo após semanas de volatilidade, as cotações ganharam tração, com a saca de 60 quilos acumulando alta próxima de 1% e alcançando pouco mais de R$ 140 no mercado físico. A busca constante da indústria por farelo e a boa competitividade das exportações garantem suporte aos preços e mantêm as margens mais equilibradas no curto prazo.

No segmento de derivados, o farelo concentra os movimentos mais expressivos do mês. Os contratos avançam entre 11% e 13% no acumulado, reflexo da retomada gradual do consumo de proteína animal no Brasil e no exterior. Mesmo no intervalo semanal, a percepção é de continuidade, com altas próximas de 2% e pouca resistência de compradores — um sinal claro de procura ativa da indústria de ração.

O óleo, por outro lado, segue trajetória distinta. Depois de um leve respiro na semana, com variações positivas inferiores a 0,5%, o mês ainda registra quedas superiores a 4%. A oferta global maior, custos de energia mais baixos e menor apetite internacional por óleos vegetais explicam o movimento. Ainda assim, a firmeza do grão e do farelo impede quedas mais acentuadas, estabelecendo um piso técnico para o produto.

Plantio de soja avança, mas segue abaixo do ritmo do ano passado

Enquanto o mercado reage, o plantio da safra 2025/26 avança de forma irregular pelo País. Até o dia 13, o trabalho atingiu 71% da área prevista, avanço em relação aos 61% da semana anterior. O ritmo, porém, segue inferior aos 80% de igual período do ciclo passado, reflexo principalmente da instabilidade climática registrada nas últimas semanas.

A semeadura do milho verão também evolui, chegando a 85% do total previsto para o Centro-Sul — acima do desempenho da semana anterior, porém ligeiramente abaixo de igual janela do ano anterior. Condições mais favoráveis de campo em São Paulo e Minas Gerais destravaram as operações, enquanto Goiás permanece atrasado, tanto pela umidade irregular quanto pela prioridade dada pelos produtores ao plantio da soja.

No maior produtor nacional, a semeadura avança para a reta final. Mato Grosso atingiu mais de 96% da área até 14 de novembro, ficando pouco abaixo do ritmo do ano anterior e da média histórica. Regiões como o médio-norte já concluíram o plantio, enquanto o sudeste e parte do nordeste mato-grossense ainda operam abaixo de 93%. Em estados do Centro-Oeste e do Matopiba, as chuvas continuam irregulares, exigindo maior cautela. No Sul, o cenário é oposto: excesso de umidade ainda impede uma evolução mais ampla.

Milho mantém estabilidade diante de oferta confortável

No milho, prevalece um mercado de estabilidade. O físico registra pequenas altas, enquanto contratos mais curtos oscilam levemente no campo negativo. A boa evolução do plantio da 1ª safra e o desempenho positivo das indústrias de etanol de milho sustentam a demanda. A oferta ajustada, porém, limita movimentos mais firmes de alta, mantendo o mercado em equilíbrio enquanto o setor monitora o clima e o estabelecimento das lavouras.

Trigo segue pressionado pela colheita e pelo clima no Sul

O trigo continua sob pressão em função da colheita concentrada no Sul do País. As chuvas intensas aumentam o risco de doenças fúngicas e reduzem o potencial produtivo, especialmente em áreas mais úmidas. A combinação de oferta reduzida, qualidade prejudicada e preços ainda depreciados mantém a rentabilidade limitada para o produtor. No curto prazo, o mercado tende a permanecer pressionado, embora oscilações pontuais possam ocorrer caso as perdas se confirmem acima do esperado.


Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

USDA revisa projeções e indica ajuste na oferta global de café

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As novas estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2025/26 de café, publicadas pelos adidos agrícolas nos três maiores países produtores, redesenham o quadro da oferta mundial. O Brasil deve colher menos, o Vietnã amplia sua produção e a Colômbia ajusta a oferta após um ciclo excepcional. As revisões chegam em um momento de preços firmes no mercado internacional e indicam uma safra global mais ajustada.

O Brasil, maior produtor mundial, deve alcançar 63 milhões de sacas de 60 kg, abaixo das 65 milhões registradas no ciclo anterior. O corte vem principalmente do arábica, cuja estimativa recuou para 38 milhões de sacas, frente às 44 milhões de 2024/25. Já o robusta avança para 25 milhões de sacas, impulsionado por condições climáticas mais favoráveis e pela expansão de áreas manejadas com irrigação e adensamento.

Mesmo com a oferta menor, as exportações brasileiras devem seguir em patamar elevado, estimadas em 40,75 milhões de sacas. O volume indica uma queda de 2,4% em relação à temporada passada, marcada por embarques recordes, mas deve manter receita expressiva em razão dos preços internacionais aquecidos. O USDA também projeta leve aumento no consumo doméstico, para 22,28 milhões de sacas, e estoques finais próximos de 485 mil sacas.

O Vietnã, principal fornecedor de robusta ao mercado global, caminha na direção oposta. A projeção para 2025/26 é de 30,8 milhões de sacas — crescimento relevante sobre as 29 milhões da safra atual. O país deve ampliar tanto o arábica, estimado em 1,2 milhão de sacas, quanto o robusta, que pode chegar a 29,6 milhões. As exportações também devem avançar, para 27,3 milhões de sacas, sustentadas por forte demanda da indústria de café solúvel. Com o aumento dos embarques, os estoques finais vietnamitas devem encolher para 889 mil sacas.

Na Colômbia, o cenário é de ajuste após a maior produção em três décadas. A estimativa para 2025/26 aponta 13,8 milhões de sacas, uma redução de 6,8% em relação às 14,8 milhões do ciclo anterior. As floradas menos intensas e o desgaste natural das lavouras após a supersafra explicam o recuo. As exportações devem diminuir para 12,55 milhões de sacas, enquanto o consumo interno tende a subir para 2,27 milhões. O USDA projeta estoques finais um pouco maiores, em 966 mil sacas.

Com os três principais produtores revisando suas projeções, o mercado global de café entra no ciclo 2025/26 com sinais mistos: a oferta brasileira cai, mas é parcialmente compensada pela expansão asiática; a Colômbia sinaliza ajuste após forte desempenho; e a demanda, interna e externa, segue firme. O conjunto das revisões tende a manter o mercado sustentado, com preços sensíveis a qualquer alteração climática até o início da colheita no hemisfério Sul.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Estado avança na aquicultura e mira espaço maior entre os líderes nacionais

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O Tocantins quer transformar seu recente avanço na produção de pescado em posição de destaque nacional — e os números de 2024 mostram que o plano tem base concreta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado registrou acréscimo de 31,63% na produção de pescado no ano passado, superando a marca de 15 mil toneladas.

O salto levou o Tocantins a ocupar a 17ª colocação no ranking nacional — e já há meta ambiciosa: entrar no top 5 dos maiores produtores do país até 2027. A piscicultura brasileira também vive momento de expansão: em 2024, o país alcançou 724,9 mil toneladas de peixes de cultivo, crescimento de 10,3% em relação a 2023.

A variedade nacional é ampla, mas o destaque segue com a Tilápia, que representou em 2024 cerca de 68,9% do volume total produzido. Se o Brasil produziu 724,9 mil toneladas, os cerca de 15 mil do Tocantins passam a representar aproximadamente 2% da produção nacional — indicador pequeno, mas com curva de crescimento acelerada e potencial de escalada.

O crescimento do Tocantins não decorre apenas de sorte climática ou sazonal. O Estado aposta na diversidade de espécies — com forte presença de peixes nativos como Tambaqui, tambacu e tambatinga, pintado e outras espécies amazônicas — e em estrutura institucional. Para 2024, o tambaqui foi responsável por cerca de 48,5% da produção estadual, seguido por tambacu/tambatinga (25,7%), pintado e semelhantes (12,4%), tilápia (4,3%) e demais espécies (9%).

Essa estratégia de diversificação permite ao Tocantins escapar da lógica de dependência de poucas espécies e criar uma base mais resiliente a variações de mercado e clima. Além disso, o Estado tem buscado fortalecer a governança da aquicultura: políticas públicas de incentivo, apoio técnico, governança e articulação entre governo, pesquisadores e produtores.

Apesar do avanço, o Tocantins ainda representa uma fração modesta da piscicultura nacional. A produção de 15 mil toneladas está longe das cifras dos estados líderes — como os que concentram a produção de tilápia, especialmente no Sul e Sudeste.

Para se aproximar do top 5, será necessário seguir investindo em estrutura produtiva, manejo, sanidade, logística e, principalmente, escala. A ambição inclui transformar o crescimento recente em trajetória sustentável.

A ascensão do Tocantins revela duas tendências: por um lado, a interiorização e o fortalecimento da aquicultura fora dos polos tradicionais; por outro, a importância de diversificar espécies e combinar produção com condições naturais favoráveis. Se conseguir executar o plano com consistência, o estado poderá se tornar referência em piscicultura — com ganhos econômicos, geração de emprego e fortalecimento da segurança alimentar regional.

Para produtores, investidores ou autoridades, o momento exige atenção: a “janela de oportunidade” está aberta, mas será preciso investimentos em estrutura, tecnologia e governança para que o Tocantins consolide seu espaço no mapa nacional do pescado.

Fonte: Pensar Agro

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