conecte-se conosco


Agronegócio

Com a colheita terminando, Mapa regulamenta o vazio sanitário já a partir de 1º de julho

Publicado

Com a colheita da soja 2025/26 entrando na reta final no país, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou na sexta-feira (10.04) a Portaria SDA/Mapa nº 1.579  (AQUI), que fixa os períodos de vazio sanitário e o calendário de semeadura da soja para a safra 2026/27.

Até o último dia 4, 82,1% da área nacional já havia sido colhida, ainda abaixo dos 85,3% registrados no mesmo período do ciclo passado. No sexto levantamento da safra, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma área de 48,4 milhões de hectares e uma produção recorde de 177,8 milhões de toneladas.

Para o produtor, a portaria não é detalhe burocrático. O vazio sanitário é o período contínuo em que fica proibido cultivar, manter ou permitir plantas vivas de soja na área determinada. A lógica é simples: sem planta hospedeira entre uma safra e outra, o fungo da ferrugem asiática perde capacidade de sobrevivência no campo. O próprio Ministério define a medida como uma das mais importantes para reduzir o inóculo da doença e diminuir os impactos na temporada seguinte.

É aí que a regra conversa diretamente com a porteira. Sem o vazio, a chamada “ponte verde” se mantém por meio de plantas voluntárias, e a ferrugem chega mais cedo à lavoura comercial, encurtando a janela de reação do produtor, elevando o número de aplicações e pressionando o custo de produção. A doença é considerada uma das mais severas da cultura e pode provocar perdas de até 90% quando não é controlada adequadamente.

Mesmo com o vazio sanitário em vigor, a safra 2025/26 mostrou que a regra, sozinha, não resolve tudo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alertou que os registros da doença aumentaram em relação ao ciclo anterior: no Paraná, passaram de 66 para 156 casos; em Mato Grosso do Sul, de 12 para 70; e no Rio Grande do Sul, de 25 para 61. Segundo a CNA, o avanço esteve ligado a condições climáticas favoráveis ao fungo e reforça a necessidade de execução rigorosa do manejo, com eliminação de soja voluntária e monitoramento constante.

Na maior parte do país, o Mapa manteve para 2026/27 as janelas já adotadas na safra anterior. Há Estados em que o vazio começa em junho, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, e outros em que ele se inicia em 1º de julho, caso de Distrito Federal, Minas Gerais e Tocantins. No Rio Grande do Sul, o período começa em 3 de julho. A principal mudança ficou na Bahia, que passou de três para quatro regiões fitossanitárias, com datas próprias de vazio e plantio.

No caso baiano, a regionalização reflete a expansão da cultura para áreas com regimes de chuva distintos. No oeste, principal polo produtor, o calendário aprovado para a região 1 prevê vazio sanitário de 26 de junho a 7 de outubro de 2026, com semeadura regular de 8 de outubro a 31 de dezembro; a nova configuração estadual foi consolidada pelo Mapa na portaria publicada agora em abril.

O recado para o produtor é direto: a safra ainda está saindo do campo, mas o manejo da próxima já começou. Cumprir o vazio sanitário, destruir tigueras e respeitar a janela de semeadura é o que separa uma lavoura que entra mais limpa no ciclo de outra que começa o plantio já sob pressão de ferrugem. Em ano de custos altos e margem mais apertada, esse detalhe técnico pesa no bolso.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agronegócio

Crédito rural avança, mas produtor reduz investimento

Publicado

O crédito rural segue crescendo no Brasil, mas com mudança relevante no comportamento do produtor. Entre julho de 2025 e março de 2026, as contratações somaram R$ 404 bilhões, alta de 10% em relação ao mesmo período da safra anterior, segundo o Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/26, elaborado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura e Pecuária com base em dados do Banco Central.

O dado, por si só, sugere expansão. Mas a composição do crédito revela um cenário mais cauteloso dentro da porteira. As linhas tradicionais, especialmente investimento e custeio bancário, perderam força, enquanto instrumentos de mercado ganharam espaço.

O principal movimento veio da Cédula de Produto Rural (CPR), que avançou 38% no período e alcançou R$ 183,1 bilhões. O título, emitido pelo produtor diretamente ao mercado financeiro ou a tradings, vem sendo usado como alternativa ao crédito oficial, principalmente em um ambiente de juros mais elevados.

Na prática, isso muda a lógica de financiamento da safra. Ao combinar CPR com outras fontes, o volume total disponível para custeio chegou a R$ 303,1 bilhões, crescimento de 13%. Ou seja, o crédito não desapareceu, apenas mudou de canal.

Enquanto isso, o investimento encolheu. As contratações para essa finalidade somaram R$ 45,5 bilhões, queda de 16%, enquanto as liberações recuaram ainda mais, 30%. O movimento indica adiamento de compras de máquinas, expansão de área e projetos de longo prazo, reflexo direto do custo do dinheiro.

O mesmo padrão aparece no número de operações. Foram pouco mais de 408 mil contratos no período, redução de 24% em relação ao ciclo anterior. Menos contratos, mas com tíquete médio maior — sinal de concentração e maior seletividade.

Outro dado que chama atenção é o avanço do crédito voltado à industrialização, que cresceu 74% e alcançou R$ 28,1 bilhões. O aumento indica maior procura por financiamento fora da porteira, especialmente em processamento e agregação de valor, movimento alinhado à estratégia de reduzir exposição à volatilidade de preços.

Na origem dos recursos, também há mudança. As fontes livres, como Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e poupança rural, ganharam participação, enquanto os recursos controlados, mais dependentes de equalização do governo, tiveram desempenho mais moderado.

Apesar do crescimento no volume total, a execução do Plano Safra ainda está distante do limite. Até março, apenas 38% dos recursos equalizáveis haviam sido efetivamente liberados, o que indica espaço para novas contratações até o fim do ciclo.

Para o produtor, o retrato é direto: o crédito continua disponível, mas mais caro e seletivo. Com isso, decisões de investimento ficam mais travadas, e o financiamento da safra passa a depender cada vez mais de instrumentos de mercado.

Em um cenário de margens pressionadas, a gestão financeira deixa de ser coadjuvante e passa a ser central. Não basta acessar crédito, é preciso escolher como, quando e a que custo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Agronegócio

Safra de laranja cresce, mas greening e seca causam prejuízos

Publicado

A safra brasileira de laranja 2025/26 foi encerrada com produção de 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, alta de 26,9% sobre o ciclo anterior, mas ainda abaixo do potencial inicial projetado para a temporada. O resultado reflete a combinação de clima irregular e avanço do greening, que seguem limitando a produtividade mesmo em um ano de recuperação.

Os dados foram divulgados pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), entidade que concentra os levantamentos da principal região produtora do país, responsável pela maior parte da oferta nacional. Embora o número represente uma retomada após a safra passada mais curta, a produção ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial, sinalizando que os problemas estruturais persistem.

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder absoluto nas exportações de suco, com participação que varia entre 70% e 80% do comércio global. A produção nacional gira, em média, entre 16 milhões e 18 milhões de toneladas por ano, com forte concentração no Sudeste, mas presença crescente em outras regiões.

Na safra atual, o clima foi determinante. Entre maio de 2025 e março de 2026, o volume de chuvas ficou cerca de 13% abaixo da média histórica nas principais áreas produtoras, com regiões registrando déficits ainda mais intensos. A irregularidade hídrica afetou o enchimento dos frutos e reduziu o peso médio.

Na prática, isso aparece no rendimento: foram necessárias mais laranjas para completar uma caixa padrão, indicando perda de massa por fruto. Mesmo com chuvas no início de 2026 ajudando parcialmente a recuperação, o resultado final ficou aquém do esperado.

O maior impacto, porém, veio da sanidade. A taxa de queda de frutos atingiu 23,2% na safra, resultando em perda estimada de 88,49 milhões de caixas. Desse total, cerca de 49,59 milhões foram atribuídas ao greening, doença que hoje representa o principal risco à citricultura brasileira.

O avanço da doença tem efeito direto dentro da porteira: reduz produtividade, encurta o ciclo dos pomares e eleva o custo com manejo e renovação de áreas. Em muitos casos, obriga o produtor a antecipar a erradicação de plantas e replantio, pressionando o caixa.

Apesar das perdas, o volume colhido garante abastecimento da indústria e manutenção da liderança brasileira no mercado internacional de suco. Ainda assim, o cenário exige atenção. A combinação de clima mais instável e pressão fitossanitária indica que a recuperação da produção não necessariamente se traduz em ganho de rentabilidade.

A próxima safra começa a ser desenhada agora, com a divulgação da nova estimativa prevista para maio. Para o produtor, o desafio permanece o mesmo: produzir mais, com menor margem de erro, em um ambiente cada vez mais sensível a clima e doença.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Política RO

Cidades

Policial

Mais Lidas da Semana