conecte-se conosco


Agronegócio

Boi gordo bate recorde com corrida para exportação à China e oferta restrita

Publicado

O preço do boi gordo atingiu o maior nível nominal da história nesta quarta-feira (08.04), impulsionado pela combinação de exportações aquecidas, sobretudo para a China, e oferta limitada de animais prontos para abate. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea/Esalq) chegou a R$ 365 por arroba, com alta de 2,53% em abril e avanço de 12,5% em 12 meses.

O movimento ocorre em um momento de forte aceleração dos embarques. Em março, o Brasil exportou 233,95 mil toneladas de carne bovina in natura, maior volume já registrado para o mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. A média diária atingiu 10,63 mil toneladas, alta de 8,6% sobre março de 2025 e de 40,7% frente ao mesmo período de 2024.

A receita acompanhou o ritmo. As exportações renderam cerca de R$ 7 bilhões no mês, considerando câmbio médio de R$ 5,15, com preço médio de R$ 29,9 mil por tonelada, avanço relevante na comparação anual. O ganho de valor reflete não apenas a demanda firme, mas também um cenário global de oferta mais curta.

O principal vetor desse avanço é a corrida dos frigoríficos para aproveitar a cota de exportação com tarifa reduzida para a China. Desde o início do ano, o país asiático estabeleceu limite de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, com tarifa de 12%. Fora desse volume, a alíquota sobe para 55%, o que reduz drasticamente a competitividade do produto brasileiro .

Com isso, a indústria intensificou as compras de animais e acelerou os embarques. Mais de 40% da cota já foi utilizada no primeiro trimestre, e a expectativa é de esgotamento total até o início de maio . Na prática, o mecanismo criou uma janela comercial curta, que concentrou a demanda e pressionou os preços no mercado físico.

Do lado da oferta, o quadro reforça a alta. A disponibilidade de gado terminado segue ajustada, tanto no Brasil quanto em outros grandes produtores. Nos Estados Unidos, por exemplo, o rebanho está no menor nível em décadas, limitando a oferta global de carne bovina e sustentando as cotações internacionais .

No mercado interno, as escalas de abate continuam curtas em várias praças, o que tem levado frigoríficos a elevar ofertas para garantir matéria-prima. Em algumas regiões, negócios já ocorrem acima das referências médias, sinalizando viés de alta no curto prazo.

A valorização também se espalha pela cadeia. No atacado, a carcaça casada bovina subiu para R$ 24,80 o quilo na Grande São Paulo, enquanto categorias como dianteiro e ponta de agulha registram aumentos superiores a 2% em abril. No mercado de reposição, o bezerro também avança, refletindo a escassez de animais.

Apesar do cenário positivo no curto prazo, o mercado monitora o que acontece após o preenchimento da cota chinesa. A limitação imposta por Pequim reduziu o espaço para a carne brasileira — já que, em 2025, as importações chinesas superaram 1,6 milhão de toneladas, e ainda não há definição sobre ampliação do volume ou abertura de novos mercados relevantes .

A tendência, segundo avaliações de mercado, é de manutenção de preços firmes enquanto durar a disputa pela cota e a oferta seguir restrita. Depois disso, pode haver maior volatilidade, dependendo da capacidade do setor em redirecionar embarques e do comportamento do consumo interno.

Para o pecuarista, o momento é de margens mais favoráveis, mas exige atenção redobrada ao timing de venda, ao custo de reposição e à dinâmica das exportações, fatores que devem ditar o rumo do mercado ao longo de 2026.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agronegócio

Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

Publicado

A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Agronegócio

Deputados priorizam renegociação de dívidas, após pressão do agro

Publicado

O avanço do endividamento rural e a restrição de crédito levaram a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) a priorizar, no Congresso, a aprovação de medidas de reestruturação financeira para produtores. A avaliação da bancada é de que o cenário se agravou com juros elevados, custos ainda pressionados e impactos recentes do clima, criando um descompasso entre receita e despesa no campo.

Como mostrou reportagem publicada pelo portal Pensar Agro nesta segunda-feira (07.04) – leia aqui, o setor convive com um contraste crescente entre produção elevada e fragilidade financeira. Mesmo com exportações de cerca de R$ 879 bilhões em 2025, o endividamento rural gira em torno de R$ 188 bilhões, enquanto o crédito recuou e a inadimplência avançou para 8,3% no terceiro trimestre do ano passado.

Para a FPA, o quadro atual limita a capacidade de investimento e compromete o ciclo produtivo. O presidente da bancada, Pedro Lupion, afirma que a combinação de juros elevados, que chegam a 15% ao ano e taxas reais próximas de 20%, com custos de insumos e frete pressionados, reduz a margem do produtor e trava novos investimentos. Segundo ele, fatores externos, como conflitos internacionais, câmbio e volatilidade no preço de energia, também impactam diretamente a formação de custos no Brasil.

Diante desse cenário, a principal frente de atuação da bancada é o Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da renegociação ampla de dívidas rurais. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda designação de relator na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

O texto prevê o uso de recursos do Fundo Social, abastecido por receitas do pré-sal, para financiar a reestruturação dos passivos. As condições incluem juros de 3,5% ao ano para operações do Pronaf, 5,5% para o Pronamp e 7,5% para demais produtores, com prazo de pagamento de até 10 anos e carência de até três anos. Os limites são de até R$ 10 milhões por produtor e R$ 50 milhões para cooperativas.

A proposta também passa por ajustes. A versão original previa recálculo retroativo das dívidas, com exclusão de encargos, mas esse modelo foi questionado por entidades do setor financeiro. A alternativa em discussão considera o financiamento do saldo atualizado, com inclusão de juros e encargos, para evitar insegurança jurídica e facilitar a operacionalização.

Outro ponto em debate é a ampliação dos recursos disponíveis. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) defende elevar o volume de R$ 30 bilhões para até R$ 60 bilhões, argumentando que o montante inicial não cobre as perdas acumuladas, especialmente após eventos climáticos extremos no Sul.

A proposta também prevê flexibilizações operacionais, como a dispensa de certidões negativas de débito em casos específicos e a possibilidade de acesso ao crédito mesmo quando o valor não for suficiente para quitar integralmente a dívida, evitando a exclusão de produtores do programa.

Apesar da pressão da bancada, a tramitação no Senado ainda não avançou. A expectativa inicial de análise em março não se confirmou, e o calendário permanece indefinido.

Enquanto isso, entidades do setor recomendam cautela. A orientação é que produtores mantenham estratégias próprias de gestão de dívida e não suspendam negociações à espera da aprovação do projeto.

A avaliação predominante no Congresso é de que, sem uma solução estruturada para o endividamento, o problema tende a se aprofundar e a afetar não apenas a produção, mas toda a cadeia do agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Política RO

Cidades

Policial

Mais Lidas da Semana