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Agronegócio

Agronegócio respondeu por 45,7% das exportações brasileiras em junho

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Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que o agronegócio foi responsável por 45,7% de todas as exportações brasileiras em junho, totalizando R$ 85,77 bilhões — um avanço de 14% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o setor exportou R$ 450,25 bilhões, alta de 6,2%.

Mais do que índices macroeconômicos, esse desempenho define o horizonte para os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). Em um momento em que a exportação flui — impulsionada pela soja (R$ 32,36 bilhões em junho) e pela carne bovina, que teve a China consolidada como principal destino após compras na casa dos R$ 33,50 bilhões — a capacidade de pagamento do produtor rural e das empresas da cadeia produtiva é reforçada, criando um cenário favorável para a originação de crédito de melhor qualidade.

A força das exportações do agro não está concentrada apenas nos grandes polos. Os dados da CNM indicam que 1.497 municípios brasileiros registraram exportações do setor em junho, com Mato Grosso (R$ 15,61 bilhões) e São Paulo (R$ 12,66 bilhões) liderando a ponta.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Primavera começa com previsão de excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Norte

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A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, dividindo o Brasil entre dois extremos climáticos. Enquanto o Sul deverá enfrentar chuva acima da média, temporais e dificuldades para colocar máquinas no campo, áreas do Norte, Nordeste e do norte do Centro-Oeste poderão conviver com calor mais intenso, precipitações irregulares e redução da umidade do solo.

O cenário consta do prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A previsão abrange outubro, novembro e dezembro e indica 98% de probabilidade de um El Niño muito forte nesse período. A primavera termina em 21 de dezembro.

No Sul, a chuva deverá superar a média histórica nos três estados. Os maiores excessos são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima do normal. No Paraná, os volumes também tendem a ser elevados, especialmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade.

O produtor deverá enfrentar intervalos menores para semear soja e milho, aplicar defensivos e realizar outros trabalhos mecanizados. O solo encharcado impede a entrada das máquinas, favorece a compactação e pode comprometer a emergência das plantas. Se a chuva ocorrer logo depois da semeadura, também existe risco de erosão, formação de crostas superficiais e perda de sementes e fertilizantes.

A umidade favorece o desenvolvimento inicial das culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas o excesso pode atrasar o calendário. Isso preocupa especialmente os agricultores que precisam colher a soja cedo para preservar a janela do milho e do algodão de segunda safra.

As lavouras de trigo ainda não colhidas no Paraná e no Rio Grande do Sul também exigirão atenção. Chuva durante a maturação pode reduzir o peso hectolítrico, a força do glúten e a qualidade do cereal destinado à panificação. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente poderão apresentar excesso de água durante a implantação.

Além do volume, o Sul terá risco mais elevado de tempestades severas. A combinação de calor, umidade e passagem de frentes frias favorece chuva intensa em curto período, descargas elétricas, rajadas de vento e granizo. Esses eventos podem causar acamamento de lavouras, danos a estruturas rurais e interrupções no fornecimento de energia e nas estradas de acesso às propriedades.

No Centro-Oeste, a previsão apresenta diferenças importantes. Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás e o sul de Mato Grosso devem receber volumes mais elevados, condição que pode beneficiar o plantio e o estabelecimento inicial da soja. Nessas áreas, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em solos excessivamente úmidos.

No centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, a tendência é oposta. A chuva deverá ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerão elevadas, com desvios que podem chegar a 2 graus no norte mato-grossense. O calor aumenta a perda de água do solo e exige cautela antes do plantio.

Nessas regiões, uma chuva isolada não deve ser interpretada como instalação definitiva do período úmido. Sem precipitações regulares nos dias seguintes, a semente pode germinar e encontrar solo seco durante a emergência, aumentando as falhas no estande e a necessidade de replantio. A recomendação é acompanhar a umidade em profundidade e as previsões de curto prazo, em vez de decidir apenas pelo primeiro volume registrado.

No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais deverão receber chuva acima da média, com excessos de até 100 milímetros no trimestre. A condição tende a favorecer a implantação de soja e milho, a recuperação dos reservatórios e o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da horticultura.

O excesso de umidade, porém, poderá reduzir o ritmo da colheita da cana, dificultar aplicações e ampliar a pressão de doenças. Nas áreas de café, chuva bem distribuída favorece a abertura e o pegamento das floradas, mas temporais, granizo e longos períodos de umidade podem provocar danos e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.

O norte e o noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, deverão enfrentar chuva mais irregular. No território capixaba, o déficit pode chegar a 50 milímetros. A combinação com temperaturas acima da média tende a aumentar a necessidade de irrigação e os cuidados com café, frutas, pastagens e produção animal.

O Norte deverá concentrar uma das situações mais preocupantes da estação. A previsão indica chuva abaixo da média em praticamente toda a região. Roraima, o norte e o nordeste do Amazonas e áreas do oeste e centro-sul do Pará podem acumular até 200 milímetros menos que o normal.

Com temperaturas até 2 graus acima da média, o solo poderá perder umidade mais rapidamente. O cenário aumenta o risco para soja, milho, arroz de terras altas, feijão, mandioca, banana e cacau, além de reduzir a capacidade de recuperação das pastagens e elevar a necessidade de água para os rebanhos.

No Nordeste, também deverá predominar o déficit de chuva. A exceção pode ocorrer em trechos da faixa leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima da média.

O maior cuidado estará no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A irregularidade da chuva e o calor poderão atrasar a semeadura, dificultar a emergência da soja e aumentar o consumo de água nas áreas irrigadas. Pastagens também poderão apresentar menor rebrota e menor disponibilidade de forragem.

A previsão sazonal mostra uma tendência para o conjunto da primavera e não significa que choverá continuamente no Sul ou que todos os municípios do Centro-Norte enfrentarão seca. A distribuição pode variar dentro de um mesmo estado e até entre propriedades próximas.

Para o produtor, a principal orientação será ajustar o calendário às condições efetivamente observadas no solo. No Sul, isso significa aproveitar os intervalos secos e reforçar drenagem, conservação do solo e proteção das estruturas. No Centro-Norte, a cautela será confirmar a regularidade das chuvas antes de acelerar a semeadura.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o clima se soma aos custos elevados, ao crédito restrito e às oscilações do mercado entre os principais riscos assumidos pelo produtor a cada safra.

“O agricultor planeja a lavoura, investe em sementes, fertilizantes, máquinas e mão de obra, mas continua dependendo de uma variável que não controla. Uma chuva que atrasa, um excesso de precipitação ou um temporal de poucos minutos pode comprometer o trabalho e o investimento de muitos meses”, afirma.

Segundo Rezende, a maior frequência de extremos exige mais planejamento e capacidade de adaptação. “As mudanças do clima deixaram de ser uma discussão distante. O produtor já percebe períodos mais longos de seca, chuvas concentradas, calor intenso e dificuldade para definir a melhor janela de plantio. Isso exige informação meteorológica confiável, manejo adequado do solo, seguro rural e assistência técnica”, diz.

Para ele, a adaptação não pode ser atribuída exclusivamente ao agricultor. “O campo precisa de sistemas de alerta, pesquisa, crédito para irrigação e armazenagem de água, conservação de estradas e um seguro rural que funcione. O produtor pode adotar tecnologia e melhorar o manejo, mas não conseguirá enfrentar sozinho uma realidade climática cada vez mais instável”, conclui.

A primavera deverá oferecer água suficiente e até excessiva em parte das principais regiões produtoras, mas manterá áreas importantes sob risco de déficit hídrico. Mais do que o total acumulado, a distribuição da chuva definirá o resultado da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Trigo sobe com safra 27% menor e qualidade ameaçada pelas chuvas

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Os preços do trigo voltaram a subir no Brasil diante da perspectiva de uma safra menor e da dificuldade para encontrar grãos com qualidade adequada à fabricação de farinha. Com a colheita em andamento, lotes de padrão inferior começaram a aparecer no Paraná e em São Paulo, enquanto moinhos disputam a parcela da produção que atende às exigências da panificação.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, redução de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada encolheu 21,2%, reflexo da baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores e do receio de novas perdas climáticas.

A diminuição da área já indicava uma oferta mais restrita. O excesso de chuva, a umidade elevada e o avanço de doenças nas lavouras acrescentaram um segundo problema: além de colher menos, o Brasil pode obter uma proporção menor de trigo próprio para a produção de farinha de melhor qualidade.

Levantamento divulgado nesta terça-feira (22) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os compradores estão mais atentos ao padrão dos lotes oferecidos. No Paraná e em São Paulo, já foram registrados grãos dos tipos 2 e 3 e menor disponibilidade de trigo tipo 1.

A classificação considera fatores como presença de impurezas, grãos danificados e peso hectolítrico, conhecido pela sigla PH. O indicador mede o peso do cereal em determinado volume e ajuda a avaliar o rendimento industrial. Em geral, quanto menor o PH, menor tende a ser a quantidade de farinha obtida pelo moinho.

As chuvas próximas da maturação também podem reduzir a força do glúten e o Falling Number, ou número de queda. A força do glúten interfere na elasticidade e na capacidade da massa de reter os gases da fermentação. Já o Falling Number identifica alterações provocadas principalmente pela germinação do grão ainda na espiga. Quando esses índices recuam, o trigo pode perder valor para a panificação e ser destinado a produtos menos exigentes ou à alimentação animal.

O problema cria um mercado dividido. O trigo de qualidade inferior enfrenta descontos e maior resistência dos compradores. Já os lotes de padrão superior tendem a receber preços mais firmes, principalmente nas regiões próximas aos moinhos.

No Rio Grande do Sul, referências ao produtor chegaram a R$ 71 por saca em algumas regiões em setembro. No Paraná, negócios envolvendo trigo destinado à panificação passaram a indicar valores entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada, dependendo da qualidade, da localização e das condições de entrega.

A valorização, portanto, não beneficia todos os agricultores da mesma maneira. O produtor que conseguir entregar trigo com bom PH, força de glúten e número de queda poderá encontrar maior procura. Quem colher lotes danificados pela umidade corre o risco de receber descontos capazes de anular parte ou toda a alta observada no mercado.

A menor produção também aumentará a dependência brasileira do cereal estrangeiro. A Conab estima importações de 7,06 milhões de toneladas, volume superior a toda a safra nacional prevista. Isso significa que mais da metade do trigo necessário ao abastecimento brasileiro deverá vir de outros países.

A Argentina continuará como a principal fornecedora, favorecida pela proximidade e pela ausência de tarifa dentro do Mercosul. O custo efetivo das compras, porém, dependerá da safra argentina, da disponibilidade de trigo de qualidade, do transporte e da cotação da moeda brasileira.

Para os moinhos, a dificuldade não está apenas em completar o volume necessário, mas em obter trigo com características compatíveis com cada tipo de farinha. Produtos de qualidade diferente podem ser misturados para alcançar o padrão industrial desejado, mas esse processo aumenta a necessidade de controle, armazenamento separado e planejamento das compras.

O consumidor ainda não deve sentir um repasse imediato e uniforme nos preços do pão, das massas e dos biscoitos. O trigo representa apenas parte dos custos dessas mercadorias, que incluem moagem, energia, embalagem, transporte, mão de obra e margens comerciais. Uma alta persistente da matéria-prima e das importações, contudo, poderá pressionar os preços nos próximos meses.

Para o produtor, os cuidados nesta fase concentram-se no acompanhamento da maturação, no controle de doenças e na realização da colheita assim que a lavoura atingir as condições adequadas. Também será decisivo separar e classificar os lotes, evitando que uma parcela de qualidade inferior reduza o valor de toda a produção.

A safra menor sustenta as cotações, mas a qualidade definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: o prêmio ficará com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

Fonte: Pensar Agro

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