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Agronegócio

Redução da jornada pode elevar custo do agro em até 8%, estima CNI

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A proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode gerar impacto relevante também sobre o agronegócio, especialmente nos segmentos com maior grau de formalização e uso intensivo de mão de obra. Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267,2 bilhões por ano na economia como um todo, com reflexos diretos sobre cadeias agroindustriais.

Embora a produção primária tenha características sazonais e parte relevante da força de trabalho contratada por safra, o agro ampliado — que inclui agroindústrias, frigoríficos, usinas sucroenergéticas, cooperativas e indústria de alimentos — opera majoritariamente sob regime formal e jornada regular, ficando exposto à mudança.

No cenário em que as empresas compensam a redução de jornada por meio de horas extras, o aumento médio de custos pode chegar a 8,1% na região Sul e 7,3% no Sudeste, onde se concentram polos agroindustriais e cadeias exportadoras de carnes, grãos processados, papel e celulose e açúcar.

Em valores absolutos, o Sudeste absorveria a maior parcela do impacto, com acréscimo estimado em R$ 143,8 bilhões anuais considerando todos os setores. Parte relevante desse montante está associada a atividades ligadas ao agronegócio, sobretudo processamento de alimentos e biocombustíveis.

No cenário alternativo — reposição das horas por novas contratações — o impacto percentual cairia, mas ainda ficaria entre 4% e 5% nas regiões mais industrializadas.

Mesmo que a produção rural propriamente dita tenha dinâmica distinta, especialistas avaliam que o impacto se espalharia pela cadeia. Elevação do custo de frigoríficos, esmagadoras de soja, laticínios e usinas tende a repercutir sobre preços pagos ao produtor ou sobre o consumidor final, dependendo das condições de mercado.

A CNI calcula que o valor da hora trabalhada regular pode subir cerca de 10% para empregados com jornada acima de 40 horas semanais, caso não haja ajuste proporcional de salários. Para setores exportadores, como proteína animal e açúcar, o aumento de custos pode reduzir competitividade internacional em um ambiente já marcado por câmbio volátil e concorrência acirrada.

O agronegócio responde por parcela expressiva das exportações brasileiras e tem peso relevante no PIB ampliado das cadeias produtivas. Em um contexto de juros elevados e margens comprimidas em parte das culturas, aumentos estruturais de custo podem afetar decisões de investimento, ampliação de plantas e geração de empregos formais.

Entidades do setor defendem que a discussão considere especificidades regionais, sazonalidade das atividades rurais e diferenças entre produção primária e agroindústria. A avaliação predominante é que mudanças dessa magnitude exigem análise técnica aprofundada para evitar perda de competitividade em cadeias estratégicas para o comércio exterior brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Maio começa com chuva irregular, calor persistente e risco de geadas

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O mês de maio começa com padrão climático mais instável no País, marcado por chuvas mal distribuídas, temperaturas acima da média na largada e possibilidade de frio mais intenso a partir da segunda semana. A tendência, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de precipitação abaixo da média em grande parte do Centro-Sul e volumes mais elevados concentrados em áreas específicas do Norte e do Sul, cenário que já começa a influenciar decisões no campo.

A configuração ocorre em um momento de transição climática. As condições ainda são de neutralidade, mas há aumento relevante na probabilidade de formação do El Niño. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a chance de desenvolvimento do fenômeno chega a 61% entre maio e julho e pode alcançar até 90% no segundo semestre, o que tende a reforçar a irregularidade das chuvas no Brasil.

Na prática, o início do mês será de calor persistente em boa parte do País, especialmente no Centro-Oeste e no interior do Sudeste, com redução gradual das temperaturas a partir da segunda semana. Modelos meteorológicos indicam a entrada de massas de ar frio a partir do dia 7, com potencial para provocar queda acentuada nos termômetros e formação de geadas, sobretudo no Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.

No Sul, a previsão do Inmet aponta chuvas acima da média no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o que pode atrasar o plantio do trigo, enquanto o Paraná tende a registrar volumes menores. O frio ganha força ao longo do mês, elevando o risco de geadas em áreas produtoras.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a tendência é de tempo mais seco e temperaturas elevadas na primeira metade de maio, condição favorável para o avanço da colheita de culturas como cana-de-açúcar, café e laranja, mas que preocupa no caso do milho segunda safra, especialmente pela falta de umidade no solo.

No Norte e no Nordeste, a chuva tende a se concentrar em faixas específicas influenciadas pela Zona de Convergência Intertropical (Zona de Convergência Intertropical – ZCIT), principalmente entre o litoral do Rio Grande do Norte e o Amapá. Nas demais áreas, a previsão é de precipitação abaixo da média, o que pode afetar o desenvolvimento de lavouras, especialmente de milho.

Outro ponto de atenção é a possibilidade de friagem na Região Norte a partir de meados do mês, fenômeno típico provocado pela entrada de ar frio do Centro-Sul, com impacto em estados como Acre, Rondônia e sul do Amazonas.

Para o campo, o cenário de maio reforça um padrão cada vez mais recorrente: maior variabilidade climática e janelas mais curtas para tomada de decisão. A irregularidade das chuvas e as mudanças bruscas de temperatura exigem monitoramento constante e ajustes rápidos no manejo, principalmente em culturas sensíveis à umidade e ao frio.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Mistura maior de biodiesel e etanol entra na pauta do CNPE

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O avanço dos biocombustíveis volta ao centro da política energética com a possibilidade de aumento da mistura obrigatória no diesel e na gasolina. A proposta de elevar o biodiesel para 17% (B17) e o etanol para 32% (E32) deve ser analisada na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para a próximo próxima quinta-feira (07.05), e pode ampliar a demanda por matérias-primas do agro e reforçar a posição do País na transição energética.

A defesa do aumento foi formalizada por parlamentares ligados ao setor produtivo, em articulação da Coalizão dos Biocombustíveis. O grupo reúne lideranças da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da Frente Parlamentar do Biodiesel, que veem na medida uma resposta à volatilidade dos preços internacionais de energia e uma oportunidade de expansão do mercado interno para combustíveis renováveis.

Na prática, a elevação das misturas tem efeito direto sobre cadeias como soja e milho — bases para a produção de biodiesel e etanol, ao ampliar o consumo doméstico e estimular novos investimentos industriais. Além disso, reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, especialmente em momentos de alta do petróleo no mercado internacional.

O Ministério de Minas e Energia (MME) já sinalizou apoio à ampliação da mistura de etanol. Segundo a pasta, testes técnicos validaram a viabilidade de avanço do atual patamar para o E32, dentro de uma estratégia que também busca levar o País à autossuficiência em gasolina.

Hoje, os percentuais obrigatórios estão em 30% de etanol na gasolina (E30) e 15% de biodiesel no diesel (B15), definidos pelo próprio CNPE. Qualquer alteração depende de deliberação do colegiado, que assessora a Presidência da República na formulação de diretrizes para o setor energético.

Além do impacto econômico, o argumento central do setor está na segurança energética. Com maior participação de biocombustíveis, o Brasil reduz a exposição a choques externos, como oscilações no preço do petróleo, que recentemente voltou a subir no mercado internacional e ganha previsibilidade no abastecimento.

O tema também tem peso ambiental. A ampliação das misturas contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa e reforça compromissos assumidos pelo País em acordos internacionais, ao mesmo tempo em que consolida a vantagem competitiva brasileira na produção de energia de base renovável.

Por outro lado, a decisão envolve equilíbrio entre oferta, demanda e impactos sobre preços. O governo avalia o momento adequado para avançar, considerando o cenário de combustíveis, a capacidade produtiva do setor e os reflexos sobre inflação e abastecimento.

Se aprovado, o aumento das misturas tende a fortalecer a integração entre energia e agronegócio, ampliando o papel do campo não apenas como produtor de alimentos, mas também como fornecedor estratégico de energia no mercado interno.

Fonte: Pensar Agro

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